Uma das verdades que os cristãos talvez mais cantem e apregoem sobre Deus é que ele é o Deus do impossível. Há muitos anos nas igrejas já se cantava “o meu Deus é o Deus do impossível…liberta encarcerados das prisões, faz da estéril mãe de filhos…”. O Diante do Trono mais recentemente gravou “creio em um Deus pra quem tudo é possível; creio em um Deus que tudo pode mudar…”. Lá fora também se canta “nothing is impossible”, a mesma expressão em inglês.
Vou confessar-lhe agora um segredo; na verdade uma tese que criei há alguns dias (desde já, sinta-se à vontade para discordar dela). Será que não seria mais fácil crer no Deus do impossível do que no Deus do improvável? Explico: diante de algo que está absolutamente fora do nosso alcance ou controle, algo que não podemos sob qualquer hipótese ou perspectiva humana realizar, logo lembramos que para Deus nada é impossível, conforme está escrito em Lucas 1:37. Vejamos por exemplo o povo de Israel diante do Mar Vermelho. Atrás deles, subia a poeira dos cavalos do exército egípcio avançando em sua direção. Diante deles, água. Ou o mar se abria ou eles morreriam. Não havia rota de fuga, túnel escondido sob as areias do deserto. A única chance era Deus fazer aquilo em que é especialista: o impossível.
Mas e se houvesse plano B? Sara foi uma mulher que pensou nisso. Ela sabia que o marido, Abraão, tinha uma promessa de Deus: seria pai, e de muita gente. Mas o tempo passava, ambos envelheciam, e nada da criança nascer. É óbvio que do ponto de vista biológico a chance de um casal centenário gerar uma criança é quase zero. QUASE. Não é zero, é quase. Nenhum especialista em reprodução humana, se sensato for, pode abrir a boca para afirmar ser impossível uma mulher na menopausa voltar a ovular; é muitíssimo pouco provável, mas não impossível. Sara então fez a parte dela, por assim dizer, ao pedir que Agar oferecesse um ventre fértil a Abraão. O que é quase impossível é o dito improvável, e nos deixa incrivelmente tendenciosas a fazer algo, por menor que seja, porque aí sim, Deus só precisa complementar com o restante que falta às nossas capacidades, habilidades e recursos.
Aqui mora um grande problema. Confiamos que Deus pode fazer o impossível.
Mas diante do improvável, queremos (aliás, deixe-me colocar o verbo no singular afinal, sou eu quem padeço desse problema; não posso dizer o mesmo sobre você) – quero – fazer o que me cabe, o que sei; usar o que supostamente está ao meu alcance para Deus então só dar o complemento, o toque final. Mas o convite diário dele é para que, mesmo diante do improvável, eu tenha fé suficiente para descansar que Ele fará 100% do que for preciso, ainda que haja recursos que pareçam ser meus. Mesmo estes são fonte da provisão do Senhor para serem usados à Sua maneira e em Seu tempo (ah, o tempo de Deus, ô negócio difícil de aceitar!).
Voltando às músicas que há anos se cantam nas igrejas, lembra desta? A letra na verdade é como se fosse Ele, nosso Bom Pastor, dizendo pra nós:
“Não tenha sobre ti, UM SÓ cuidado, QUALQUER QUE SEJA Pois um, SOMENTE UM, seria MUITO para ti.
É MEU, SOMENTE MEU, TODO (TODO, MINHA GENTE, TODO!!!!!) o trabalho,
E o teu trabalho é descansar em mim…”
Plagiando a expressão do Talmidim, do Pastor Ed René Kivitz, a minha oração de hoje é que eu e você creiamos em Deus não apenas diante do impossível, mas também e principalmente, diante do improvável. Crer apenas diante do impossível pode ser sinal de uma fé alicerçada em desespero e falta de esperança. Crer diante do improvável é sinal de confiança.
