5 de março de 2017
Reverdescendo

Uma coisa é uma coisa…

…outra coisa é outra coisa. Já ouviu esse ditado antes, não é? Se preferir, “o que Chico tem a ver com Francisco?” também serve. Coisas que pareçam similares ou com relação óbvia entre si podem em verdade ser absolutamente distintas. Fazer coisas para Deus ou em nome de Deus e conhecê-lo, por exemplo, só podem estar em íntima correlação, não é mesmo? Infelizmente, não.

Leia o primeiro livro de Samuel. Se estiver muito ocupada, leia ao menos os três primeiros capítulos. No versículo dezoito do segundo capítulo está registrado o seguinte: “Samuel ministrava perante o Senhor sendo ainda menino, vestido de uma estola sacerdotal de linho”. Talvez uma parte dos meninos da idade de Samuel o achassem o cara! Naquela idade já usava uma estola sacerdotal de linho, que suponho ser uma roupa muito bonita; era o aprendiz do sacerdote e ainda ministrava perante o Senhor!

Apesar de tudo isso, no capítulo três vemos este Samuel ouvir alguém chama-lo por três vezes durante a noite. Ele corre a Eli todas as vezes em que ouve o próprio nome e o seu líder insiste em dizer que não o havia chamado (Samuel já convivia com Eli há algum tempo e certamente era familiarizado com sua voz), até que na última vez o instrui a como responder. E então nos versículos seis e sete entendemos o motivo: “Tornou o Senhor a chamar: Samuel! Este se levantou, foi a Eli e disse: eisme aqui pois tu me chamaste. Mas ele disse: não te chamei, meu filho, volte a dormir. PORÉM SAMUEL AINDA NÃO CONHECIA O SENHOR, e ainda não lhe tinha sido manifestada a palavra do Senhor”.

Percebe que uma coisa é ministrar perante o Senhor e outra coisa é conhece-lo? Percebe que uma coisa é usar uma estola sacerdotal de linho e outra coisa é saber reconhecer a voz de Deus? Neste nosso mundo onde se valoriza tanto a aparência corremos o sério de risco de estarmos mais preocupadas com nossas estolas sacerdotais do que em saber dizer “fala, Senhor, porque tua serva ouve”, como Samuel finalmente disse no versículo dez.

Usar estolas sacerdotais (entenda essa expressão como representando qualquer coisa que traduza uma vida religiosa) não faz a menor diferença sem obediência à voz de Deus. A insistência de Deus em chamar o menino era porque queria, pela primeira vez, conversar com ele a respeito do que faria. O versículo 11 relata “Disse o Senhor a Samuel: eis que vou fazer uma coisa em Israel…”. Deus estava ali tornando Samuel um homem de sua confiança, alguém com quem Deus poderia compartilhar os seus segredos, as suas decisões, o seu coração.

Sabe como o terceiro capítulo termina? Assim: “Crescia Samuel, e o Senhor era com ele, e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra. Todo o Israel, desde Dã até Berseba, conheceu que Samuel estava confirmado como profeta do Senhor. Continuou o Senhor a aparecer em Siló, enquanto por sua palavra o Senhor se manifestava ali a Samuel”.

À medida que Deus falava com Samuel (quando Deus fala, ele está se manifestando), este passou a conhece-lo mais e a nação inteira foi impactada por causa do relacionamento daquele outrora menino com o Senhor. Mais adiante no livro há o registro de um episódio em que Israel entrou em guerra e o povo pede a Samuel que clame a Deus por eles. Samuel clamou ao Senhor por Israel “e o Senhor lhe respondeu” (I Samuel 7:9).

Uma coisa é você ser crente, católica, espírita, budista, atéia. Outra coisa é você crescer, passar os seus dias, na companhia Daquele que não deixa nenhuma de suas palavras cair em terra. Aí sim, pode clamar. Pode dizer “fala, Senhor”. Ele lhe responderá. Quem sabe, até não diz o que Ele está prestes a fazer?

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