20 de fevereiro de 2018
Voz de mulher

Cara ou coroa

A vida é feita de decisões. Algumas multifacetadas, outras do tipo isso ou aquilo. Há daquelas decisões, como no cara ou coroa, em que a opção por uma coisa necessariamente implica a exclusão de outra. Assim, por insistir muito com Deus para que Ele me concedesse sabedoria – para o trabalho, para os relacionamentos com os outros e comigo mesma, e mais um pouco para o trabalho – um dia me vi tomada por um pensamento do tipo: “será que temor não é melhor do que sabedoria”?

Antes de ousar responder a esta pergunta, deixe-me tentar explicar o que entendo por temor do Senhor. Lembro que no início da minha adolescência comprava cartões do Smilinguido (um personagem de desenho infantil que era uma formiguinha crente) e em um deles o famoso texto de Provérbios 9:10 – “o temor do Senhor é o princípio da sabedoria” – estava descrito como “respeitar a Deus é o princípio da sabedoria”. Pronto. Ali eu aprendi: temer a Deus significa respeitá-Lo.

Na verdade, a própria Bíblia define o que significa temer a Deus. No capítulo oito de Provérbios, verso 13, o autor diz: “O temor do Senhor consiste em (1) aborrecer o mal, (2) a soberba, (3) a arrogância, (4) a boca perversa e (5) o mau caminho”.   Por consequência, aborrecer, detestar, evitar essas cinco coisas significa respeitar Deus e, finalmente, ser sábia. Posto assim parece bem simples. E de fato, o é.

O problema é que o autor da maioria dos Provérbios, o rei Salomão, foi alguém que experimentou ser o homem mais sábio da terra – sabedoria esta data por Deus a pedido do próprio Salomão (leia depois o capítulo 3 do primeiro livro dos Reis – mas também soube a desgraça que foi deixar de temê-Lo. No capítulo onze deste mesmo livro, verso quatro, está escrito a respeito de Salomão que “o seu coração não era de todo fiel para com o Senhor, seu Deus…” e, mais adiante no verso nove, “…pois desviara o seu coração do Senhor, Deus de Israel, que duas vezes lhe aparecerá”.  Isso aconteceu por conta do envolvimento do rei com mulheres de povos com os quais Deus tinha orientado que Seu povo não se envolvesse.

Analise bem. Deus apareceu a Salomão e disse a ele que pudesse pedir qualquer coisa que quisesse e seria dada. Salomão toma uma decisão acertada, pedindo coração compreensivo para julgar e para que fosse prudente em discernir entre o bem e mal. Deus se agrada do pedido dele e concede não só isso mas até o que ele não havia pedido, “tanto riquezas como glória; que não haja igual entre os reis por todos os teus dias”. Mas o Senhor continua falando com ele: “SE (olha a condição!) andares nos meus caminhos e guardares os meus estatutos(…) prolongarei os teus dias” (I Reis 3:14).

Quanto favorecimento da parte de Deus! Até que Salomão deixou de ser sábio? Em um primeiro momento, não! Até que ele deixou de respeitar o seu Deus, o Deus com quem ele se encontrou pessoalmente por duas vezes! Foi só aí que “o Senhor se indignou contra Salomão” (I Reis 11:1). Salomão perdeu muita coisa a partir do momento em que ele deixou de temer a Deus, a começar pela paz que seu reinado havia estabelecido com outros povos. E junto com a paz, foi também a sabedoria.

Não tenho sombra de dúvida de que a mulher sábia edificada sua casa (entendo esse versículo significando que a sabedoria de uma mulher edifica sua família, seus negócios, seus relacionamentos, seu próprio coração). Mas se um dia você estiver diante de uma moeda de duas faces, em que uma seja TEMOR DO SENHOR e a outra SABEDORIA, opte pela primeira! Respeitando a Deus, tenha certeza, sabedoria não vai faltar.

Cadastre-se e receba novidades.