Essa pergunta bem que poderia constar na letra de “Comida”, música dos Titãs que fez muito sucesso há pouco mais de uma década. Ter resposta clara para ela talvez seja tão importante quanto saber do que se tem fome e sede. Mas já que a banda não arvorou propor resposta, ouso aqui fazê-lo.
Se tivesse que ranquear meus medos, certamente no topo do pódio viriam as baratas. Pronto, assumi! Basta uma delas para me fazer, por exemplo, subir no sanitário correndo risco de sério acidente, ficar ofegante, transpirar até molhar a roupa e mal conseguir falar depois. Mas graças a Deus pais servem também para nos tirar de cima do sanitário e aniquilar esses quase monstros.
Logo em seguida, com a medalha de prata, vêm o que chamo de pessoas más. E quando falo de pessoas más, constato que boa parte das vezes, infelizmente, tratase de mulheres más. Não falo da maldade fruto da presença de pecado que pode nos levar a, ainda que de forma não intencional, ferir alguém. Falo daquela maldade gratuita, aquela que muitas vezes brota de inveja ou ciúmes. Acabo de me lembrar aqui de José, cuja história é retratada no livro de Gênesis. Ele foi jogado no poço pelos irmãos apenas por ser o filho preferido de seu pai. José foi alvo de uma ação extremamente perversa apenas por ser quem ele era.
Esse tipo de maldade, honestamente, é capaz de me desestruturar. Já fui, ainda sou e sei que continuarei a ser alvo dela. E isso se manifesta sobretudo e quase que exclusivamente no ambiente de trabalho. Mesmo que se cometa o equívoco, coisa que lamento ainda fazer em alguns momentos, de querer agradar e distribuir simpatia, haverá alguém que vai te olhar torto e querer jogar no poço. Com o perdão do trocadilho, atitudes assim quando a mim direcionadas me fazem ter reações muito parecidas com as que tenho diante de uma barata. Taquicardia, aperto no peito, vontade de sair correndo sem conseguir.
Faz algum tempo que reconheci o potencial destrutivo desse tipo de medo, o de quem pode (e não raras vezes quer) me fazer mal. Então pedi a Deus que me livrasse.
Não delas, necessariamente, mas do medo dessas pessoas. Descobri na Bíblia uma pergunta retórica feita pelo Salmista (de novo!): “O Senhor está comigo, não temerei.
O que me podem fazer os homens”? (Salmo 118:6). Aqui parece tão óbvio que estar na companhia de Deus nos possibilita não ter medo do que os homens e mulheres podem nos fazer!
Não que sejamos imunes ao sofrimento ou perseguição! Mas é que a bondade do Senhor é capaz de sobrepujar as intenções destrutivas que são direcionadas a nós. Foi assim com José. Trezes anos depois daquele poço, ele se tornou o segundo homem mais poderoso da nação mais poderosa do mundo à época. Hoje consigo até imaginar quão dolorosos foram esses trezes anos para José. Mas ao final, os nomes que ele deu aos seus filhos traduziam o que Deus tinha feito a partir daquele golpe que ele sofreu: Manassés, nome do mais velho, significa “Deus me fez esquecer todo o meu sofrimento e toda a casa de meu pai” e Efraim, “Deus me fez prosperar na terra onde tenho sofrido”. (Genesis 41: 51-52).
Amanhã, quando acordar para ir ao trabalho (e espero conseguir fazê-lo a despeito da data) vou me lembrar, caso encontre uma barata ou mulher que me ameace, que o Senhor está comigo! Isso não me torna melhor do que ninguém, mas me faz alvo da justiça e bondade daquele que conhece mentes (o que pensamos) e corações (o que sentimos).
Penso que no pódio do medo de muitas mulheres ainda deve haver lugar para o medo da solidão e da morte. Justíssimo. Mas isso são cenas para os próximos capítulos.
