Desde que me entendo por gente, embora não saiba exatamente quando isso aconteceu, gosto de música. Aprendi a tocar um instrumento, conquanto não o faça com a habilidade com a qual gostaria, mas aprecio sobretudo ouvir bons sons. Ouço música quando estou bem e também quando não estou. E apropriando-me da expressão que aprendi anos atrás
com minha amiga Denise, as diversas seasons (estações) da minha vida têm cada
uma sua trilha sonora.
Lembro-me que na adolescência, internamente agitada pelas angústias de qualquer menina em muitos aspectos mal resolvida, me vi sendo tocada pelo álbum Águas Purificadoras, do Diante do Trono, à época recém-lançado. Ouvia repetidas vezes expressões como “há esperança para o ferido”, “tu és a fonte, Senhor”, “nada vai frustrar os planos do Senhor” e “à sombra de tuas asas eu posso descansar”, todas contidas em letras das músicas desse CD.
Nessa nova estação não tem sido diferente no que se refere a ter uma trilha sonora, mas com a atual peculiaridade de haver várias subestações dentro de uma maior, como pontos de parada de uma linha de metrô que, infelizmente, ainda não sei qual o destino final. E para cada ponto de parada Deus tem me dado, por assim dizer, uma música que consegue calar os anseios do meu coração para aquele lugar onde me encontro.
Um dos primeiros desses momentos se deu no dia 1 de Maio de 2015. Era véspera do que seria meu sexto aniversário de casamento e eu havia feito uma longa e cansativa viagem de ônibus para Vitória da Conquista depois de uma aterrisagem frustrada. Saí de casa em Salvador antes das 5 da manhã e só cheguei na casa dos meus pais às 21h. Somados os cansaços físico e emocional, deitei cercada por edredons e amor. E lá estava Lucas, meu sobrinho de quatro anos quase completos.
Quando minha mãe o pediu para cantar uma
música para eu dormir ele espontaneamente fechou os olhos e começou a
balbuciar: “obedecer a Deus é sempre o melhor pois Ele é fiel e cumpre o que diz”.
Ali eu acabava de acrescentar mais uma faixa para o disco da minha nova vida. Ninguém disse a Lucas o que cantar mas o que saiu dos seus lábios foi me lembrar que Deus cumpre o que diz! Detalhe que essa música foi composta para crianças!
Numa outra ocasião, ao levá-lo de sua casa para a minha, perguntei se queria ouvir Diante do Trono (para crianças)no carro. Acho que eu mesma respondi e como já estava dirigindo fui clicando aleatoriamente no celular. Parei no CD Samuel e cliquei na primeira faix que meus dedos puderam alcançar. Então ouvi: “não vou me entristecer, não! Eu posso me alegrar em Deus, pois ele escutou a minha oração(…). O Senhor ouviu o meu clamor, Ele já colheu as minhas lágrimas…”.
Mais uma faixa para meu disco! Desta vez, em um dia em que eu me sentia empurrando a vida com a barriga, fui lembrada que Deus já tinha ouvido o meu clamor e colhido as minhas lágrimas! E hoje aqui, na mesma Vitória da Conquista, fui atraída pela melodia de uma
música que meu irmão ouvia. Descobri que tratava-se de Good, Good Father (em Português, “Bom, Bom Pai”) da banda americana Casting Crowns. Neste exato momento ainda me sinto empurrando a vida com a barriga embora talvez com um pouco (um pouco!!!) menos de esforço. Creio ser desnecessário explicar o que calou no meu coração. Apenas transcrevo abaixo a letra original da música em inglês com uma livre tradução dessas de internet.
Caso você não tenha ainda a trilha sonora de sua vida, acho um boa ideia pedi-la a Deus. Afinal, como disse Geraldo Azevedo (ao menos ouvi que a frase era de autoria dele), quem inventou o amor também inventou a música. Só não digo que ele está certíssimo por um
mero detalhe: Deus não inventou o amor (embora tenha sido ele que tenha
inventado a música). Ele simplesmente É AMOR! Ele é um Good, Good Father!
