21 de abril de 2016
Sobrevivendo

(In)certezas

“Sim, Dra, vá direito ao assunto. O que a senhora quer mesmo dizer? Que minha mãe vai morrer? ”. Com essa pergunta fui interpelada ao conversar com a filha de uma paciente idosa internada em uma das UTIs onde trabalho, durante a passagem do boletim médico. Minha resposta não poderia ter sido mais óbvia: “morrer todos nós vamos, eu apenas não sei te dizer quando”. E continuei tentando explicar-lhe que, embora a morte da paciente não fosse algo iminente, seu quadro clínico inspirava certa preocupação.

Esse diálogo, novamente entre duas mulheres, me fez lembrar uma máxima do senso comum que afirma que a morte é a única certeza que temos na vida. Particularmente penso que experimentamos no nosso dia a dia mais dúvidas do que respostas certas. Talvez tenhamos também mais receios do que convicções. Embora façamos planos futuros, não há garantia de que nenhum deles se tornará realidade. Navegamos ao sabor das intempéries imprevistas e das tempestades anunciadas, esperando dias de bonança e estabilidade.

Reconheço que é muito provável que essa minha percepção esteja contaminada pelo acontecimento do último ano. Quando se experimenta uma realidade súbita de perda e imensurável sofrimento, o pessimismo tende a ser mais familiar do que a esperança de que dias melhores virão. E quando a perda se trata de, literalmente, morte de alguém amado, então essa noção de que nada é tão factual na existência humana quanto a morte se torna ainda mais vívida.

Acontece que para uma parte das pessoas há uma outra certeza na vida que não seja a morte. Falo das pessoas que acreditam em Jesus como criador de todas as coisas, Filho de Deus, Senhor do universo. Esse grupo de pessoas deveria crer no que o próprio Deus disse que o povo falaria a seu respeito depois de passar por um período de grande turbulência. Está registrado no capítulo seis do livro de Oséias, dentre outas coisas, que “(…) como a alva, a SUA VINDA É CERTA” (Oséias 6:3).

Penso que essa vinda não diz respeito somente àquela traduzida em uma música como sendo prenunciada como um relâmpago que sai do Oriente e se mostra no Ocidente ou, em termos mais teológicos, da segunda vinda de Jesus. A vinda Dele também é certa e corriqueira para os nossos vários e repetidos dias de incertezas.

A vinda dele é certa trazendo provisão quando os nossos recursos, materiais ou emocionais, se esgotam. Sua vinda é certa nos dias em que achamos que vamos morrer de tanta dor, física ou na alma. A vinda dele é certa quando nos aproximamos dele implorando socorro e livramento. Sua vinda é certa quando não sabemos se devemos comprar ou vender. Ele vem para nos ajudar a discernir se devemos parar ou prosseguir. Ele também vem para nos fazer gerar aquilo que dizem ser impossível ser gerado. Dentro de casa, no trabalho, no trânsito, no hospital, Ele pode vir a qualquer hora e em qualquer lugar.

Decidi crer nisso. Então, se alguém me disser que a única certeza que podemos ter nessa vida é a morte, vou retrucar: “para mim, essa era a única certeza. Mas agora também tenho outra. Porque está escrito na Bíblia, e ela não mente, a vinda do meu Deus é certa! Na hora certa, no lugar certo, do mesmíssimo jeito que amanhã novo dia nascerá, Ele virá”.

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