Desde que comecei a saga à procura de uma nova morada, saga esta que eu espero não transformar-se numa trilogia, tive algumas experiências bem interessantes. A principal delas foi na última visita em que fiz, por sinal o dia mais intenso até então de idas e vindas entre cinco imóveis no total. O penúltimo deles fica em um prédio para o qual sempre olhei com algum interesse. Por passar constantemente por ali, afinal fica no mesmo bairro onde moro atualmente e em uma rua por onde passo com frequência, eu julgava ser uma moradia privilegiada.
Pois justamente lá os corretores me levaram para olhar um apartamento. Ao final da visita tive duas surpresas. A primeira delas é que o prédio não era exatamente tudo aquilo que eu achava que fosse mas nem de longe era ruim! Em inúmeros aspectos ainda seria muito melhor do que onde moro. A segunda e maior surpresa é que aquilo que parecia ser um sonho tão distante, quase impossível, não estava tão longe assim do alcance das minhas mãos quanto eu supunha embora, verdade seja dita, hoje precisamente eu não teria dinheiro para comprar o tal apê.
Já na saída do prédio, enquanto agradecíamos ao porteiro, senti como se Deus fosse se aproximando de mim e, como um amigo que acompanhara todas as visitas naquela tarde, colocava a mão no meu ombro, dava um sorriso de canto e começava uma conversa longa e meio desconcertante (pra mim, obviamente). Vou tentar replicar parte dessa conversa ao tempo em que abrirei alguns parênteses para explicar as minhas reações. Para quem não acredita que Deus fala, ainda mais comigo, apenas imagine a cena como se ele falasse.
Papai do Céu: – Larissa, você é mesmo muito boba. (Não fiquei ofendida com o “boba”; espero que tenha sido sinal de intimidade).
Eu: – Boba? Porque?
PC: – Porque você tá impressionada só por achar que não é mais tão impossível assim como parecia morar aqui. Você realmente acha que tudo se trata se mudar de apartamento, não é? Mas isso é o mínimo do que eu quero e posso fazer.
Eu: – Mas essa brincadeirinha de mudar de apartamento foi ideia sua (e foi mesmo!) e, vou te contar, isso está me deixando preocupada e cansada! E outra coisa, eu não te pedi pra passar por nada disso! (Imagine que até aqui é como se nós estivéssemos andando com a mão Dele no meu ombro e então Ele parou, ficou de frente pra mim e me olhou serenamente).
PC: – Esse é seu problema. Você só enxerga a angústia de comprar um imóvel novo. E você sabe que isso pra mim não é nada! Eu posso te colocar em qualquer apartamento que eu queira mas não se trata disso! Eu quero te dar uma vida nova…
Eu: – Eu não te pedi uma vida nova. Aquela que eu tinha era boa demais, inclusive.
PC: – Mas eu vou te dar assim mesmo. O apartamento é só um detalhe insignificante disso. E pare de se preocupar…
Acho que até hoje eu ainda retomo esse diálogo em alguns momentos mas no final das contas eu entendi o que o Senhor queria me mostrar. Muitas vezes quando lemos Efésios 3:20, onde está escrito: “Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós…” a interpretação mais imediata, simples e conveniente que se tem é de que se eu quero um fusca velho usado, Deus vai me dar um Corolla novo, “aleluia”! Se eu penso em ter um puxadinho, Deus vai me fazer vizinha de Ivete Sangalo na Morada dos Cardeais, “oh glória”! Afinal, não é Ele quem pode fazer infinitamente mais?
De fato, Ele pode fazer tudo isso! Ele pode dar o Corolla, a Morada dos Cardeais e o que mais Ele quiser. Mas o que Deus quer mesmo que entendamos é que os propósitos Dele naquilo que Ele faz é que são infinitamente maiores do que aquilo que conseguimos pensar ou imaginar. Enquanto você pensa em um salário melhor, Deus está pensando em abençoar mais gente através de você. Enquanto você pensa em simplesmente uma casa nova, Deus está te ajudando a depender Dele! Enquanto você conhece a dor de uma perda imensurável, Ele está pensando em expandir o Seu Reino.
Seria egoísmo desse Deus?! Só pensa em que dependamos Dele, no Reino Dele, tudo Dele?! Mas é justamente junto a Ele, fazendo parte do Seu reino, onde fica o lugar mais seguro para se estar. É como se fosse, assim, morar na Casa Branca, só que muito melhor. E ainda com a possibilidade de ter a versão abaianada de Michelle Obama, no caso eu, como vizinha. Já pensou?
