Da minha mãe, que de velha não tem nada, nem mesmo a idade ainda, herdei algumas coisas e também aprendi tantas outras. Aprendi, por exemplo, que Deus não mente. Esse foi inclusive o primeiro aspecto do caráter de Deus ao qual fui apresentada, e foi Dona Mara quem fez essa introdução. Aprendi também que devia ler a Bíblia todos os dias e durante um tempo fui incentivada a tentar gravar um versículo por semana. Via minha mãe orar por mim todas as noites antes de dormir. Ela até me contou uma vez que disse à mãe de uns amigos nossos que ela deveria olhar pelos filhos estando os mesmos ainda acordados, para que soubessem o que ela estava fazendo.
Dona Mara conseguia convencer como ninguém que dar banho nos cachorros era algo quase que divino. Naqueles sábados de sol em que tudo que uma adolescente queria era correr para o clube, ela tinha o argumento perfeito: “Lara (ela me chama assim), a Bíblia diz que o justo zela pela vida dos seus animais”. E diz mesmo! Isso está escrito em Provérbios 12:10. E lá ia eu, muito contrariada, perder umas duas horas para deixar Dingo, Petit e Funny cheirosinhos. Lembro-me de uma outra ocasião em que fiz uma brincadeira com minha irmã, ainda bem novinha, que a fez chorar bastante. Quando minha mãe veio me perguntar o porquê daquela atitude, eu logo tentei evadir da bronca com um simples “foi só uma brincadeira, minha mãe”. E Dona Mara me saiu de lá com Provérbios 26:18,19: “Como o louco que atira brasas e flechas mortais, assim é o homem que engana o seu próximo e diz: ‘eu só estava brincando’”! E assim eu fui crescendo. Quando a surra era inevitável, nunca apanhava sem saber a razão para aquilo e sem ser lembrada de que “quem se nega a castigar seu filho não o ama” (Provérbios 13:24) e também que “a vara da correção dá sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe” (Provérbios 29:15). A irmã de uma amiga minha, ouvindo essas histórias, até criou um novo provérbio! Rimos muito quando ela resumiu tudo em leiarás, orarás e apanharás! Um outro amigo disse que se tivesse sido criado assim ele provavelmente iria odiar a Bíblia. É uma reação plausível, pois para alguns poderia traduzir uma grande opressão. Mas para mim, felizmente, foi e continua sendo motivo de querer amar os estatutos do Senhor ainda mais.
Já não moro mais com Dona Mara há quinze anos, mas continuo sendo alvo do seu amor e de suas orações. Essa semana liguei para ela e conversamos um bom tempo e pude compartilhar sobre algumas questões relacionadas à venda do apartamento e a mudanças que eu gostaria que acontecessem na minha vida profissional. Trocamos algumas ideias sobre um e outro assunto. E no final ela me lembrou que quando as circunstâncias se tornam muito difíceis e desfavoráveis do ponto de vista da ação humana, esse então é o cenário perfeito para as ações sobrenaturais de Deus.
Segundo disse Dona Mara na última terça-feira, quando tudo parece fácil de ser resolvido com os meus próprios recursos, a tendência é que os créditos pela conquista sejam meus. Mas quando eu sei que estou de mãos atadas e então o Senhor simplesmente faz acontecer, eu tenho certeza de que foi a ação dele e não minha; e a glória é somente Dele. Ela então terminou o telefonema reiterando que me amava e que continuaria orando por essas questões.
Graças a Deus por minha velha mãe.
