18 de julho de 2016
Sobrevivendo

Assalto

Felizmente nunca passei pela dolorosa experiência de ser assaltada à mão armada. Já tive uma pequena corrente de ouro roubada em plena luz do dia, dentro de um ônibus em Salvador, há alguns anos. Tudo não passou de um grande susto e dos prejuízos financeiro e emocional, já que o objeto me tinha sido dado pela minha mãe como presente de aniversário de quinze anos. Por outro lado, já perdi as contas de quantas vezes sofri outro tipo de assalto. Devo assumir que não é tão incomum quanto gostaria que fossem as inúmeras tentativas de assalto as quais o meu coração sofre.

Quando falo do coração, refiro-me a pensamos, sentimentos, emoções. É quase que diária a minha luta para não ceder aos gritos que emergem, suponho, da minha alma, contrariando alguns valores, princípios e até mesmo desejos. É como se repentinamente alguém surgisse impondo: pense isso, não pense aquilo, faça aquilo, não faça aquilo outro. A última vez em que isso se deu foi há alguns poucos dias, quando me ocorreu que deveria me afastar de todas as minhas amigas casadas, especialmente daquela mais próxima, já que essa não é uma realidade que eu vivencio. É como se houvesse uma arma apontada para o meu coração e alguém dizendo: “você não percebe que não tem mais nada a ver com essas pessoas? Será que ainda não se tocou de que esse tipo de amizade não é para você? Se afaste dela”.

Foi então que decidi reagir, o que os especialistas em segurança fortemente contraindicam quando se trata de assaltos reais, por assim dizer. E a minha reação, para surpresa própria, foi tentar ser razoável! Quando se trata de sentimentos e emoções nós mulheres temos muita dificuldade em sermos razoáveis, o que significa sermos “conforme a razão, comedida, moderada, acima do medíocre, aceitável”, segundo definição do dicionário. Ora, se durante todo este tempo nenhuma das minhas amigas casadas se recusou a caminhar o luto comigo, porque logo agora eu deveria me afastar delas? Se a mais próxima, em especial, nunca se mostrou desconcertada ao meu lado, porque rejeitá-la?

Não sei se foram estes argumentos, mas o tal assaltante recuou. Terminei o dia e a semana convicta de que me esforçaria para não deixar meu coração ceder a pensamentos e sentimentos tais como esse. A cada tentativa de assalto que meu coração sofrer, vou procurar abrigá-lo sob a proteção da razoabilidade – preferencialmente bíblica – vencendo a lógica muitas vezes estúpida de uma alma ainda sob reparos. Seja inveja (eu não tenho o que ela tem…), sejam necessidades (eu preciso mais do que ela…), sejam sonhos (ela conquistou o que eu tanto sonhei em ter), que tudo eu submeta ao crivo do Pastor das almas. Tento, desde que me entendo por gente, deixar meu coração banhado em águas tranquilas. Mas aos trinta e um aninhos ainda concluo que só o Bom pastor pode me levar até lá.

“Sobre tudo o que se dever guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida”. Provérbios 4:23.

Cadastre-se e receba novidades.