28 de agosto de 2016
Esperança

Porque não chorar?

Creio não ser inédito no campo da Psicologia ou simplesmente das rodas de conversas entre amigos alguém expor a estranha sensação de frustração após concluir uma tarefa difícil ou findar uma etapa desejada. É como encher a boca de água pensando em um bolo de chocolate, ter o bolo, comê-lo e no final…”mas era isso”? Já ouvi dizer que normalmente não é apenas frustração, mas também tristeza, às vezes profunda, que acompanha esse sentimento. Infelizmente não fiquei apenas no ouvi dizer.

Senti-me como uma garotinha de pé, segurando um urso de pelúcia depois de ter enfrentado e derrotado um monstro enorme que pairava todas as noites pelo seu quarto escuro, com os olhos cheios de lágrimas, pensando no que a manteria viva nas noites seguintes já que aquilo que alimentava sua força e esperança de futuro (vencer o monstro) agora não existia mais. Então, porque não chorar?

Antes de responder a esta pergunta, distrai-me com os afazeres do trabalho, ao tempo em que tentava encontrar resposta para este “e agora? ” de um coração inquieto. Arranjar um novo monstro seria uma boa opção? E se este for mais forte?

Ou mudar o quarto; quem sabe conseguir um que seja menos escuro?

Devaneios à parte, encontrei algo que creio ter encerrado, ao menos por hora, o assunto. Por partes, diria que o motivo do choro pode ser absolutamente legítimo e, portanto, não há do que se envergonhar. Depois, todos precisamos de algo que nos motive a viver; para algumas, basta um novo desafio. Para outras, sobreviver depende justamente de não ter um desafio novo, pelo amor de Deus!

E nesse cenário de incerteza e insegurança, lembrei-me de uma conversa que tive com uma amiga há alguns meses em que ela, orando por mim, trouxe à minha memória algo que podia me dar esperança! No capítulo doze do livro de Romanos, o sofredor do apóstolo Paulo diz no versículo também de número doze: “Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração”. Naquele dia o foco do pedido dela foi que eu conseguisse me alegrar na esperança, sem negar a dor do presente, mas conseguindo de alguma forma celebrar por aquilo que ainda pode (e está!) por vir.

Se alguém me perguntar se é fácil ser paciente na tribulação, eu diria sem hesitar que não, não é nem um pouquinho. Ou se é legal ser perseverante em orar, repetir várias vezes o mesmo pedido, clamar várias noites pelo mesmo socorro…não, nem sempre é legal. E alegrar-se na esperança, ter algum regozijo por algo que sequer existe diante dos seus olhos, é tranquilo? Não, não é tranquilo mas é sim, possível.

E só é possível por um único motivo: aquele que nos convida, através de Sua

Palavra, a nos alegrarmos na esperança é o mesmo Deus  que “chama à existência coisas que não existem, como se existissem”. (Romanos 4:17b). Pode parecer confuso, mas é como se Deus olhasse para a garotinha com o urso de pelúcia na mão, a pegasse no colo e dissesse:

“Chore não, minha menina. Eu sei que o futuro te assusta, mas não se preocupe se haverá outro monstro ou outro quarto. Eu posso fazer existir coisas inimagináveis para você”. E como essa mesma amiga me lembrou ontem, creio que Deus terminaria dizendo: “para minha glória e para o seu bem”.

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