21 de março de 2017
Reverdescendo

Tome posse!

De quê? Da bênção? Não é disso de que tanto se pede para que tomemos posse? Sim, podemos tomar posse da bênção. Mas antes, precisamos tomar posse da palavra de Deus! Assim como o código penal brasileiro diz que “não há crime sem lei anterior que o defina e não há pena sem prévia cominação legal” também não há bênção, nem uma sequer, sem palavra anterior de Deus que a ordene.

É assim desde Gênesis. Toda a bênção que é a criação só veio a existir depois de um “haja” que saiu da boca de Deus. E como a palavra de Deus não deixa de cumprir o propósito para o qual foi designada, conforme aprendemos em Isaías 55:11, para cada haja que Deus proferiu algo de extraordinário e belo se tornou real. Para que a bênção fosse vista, antes uma palavra de Deus foi ouvida.

Foi assim em Gênesis e assim o é até os dias de hoje. Antes de Isaque nascer, Deus falou a Abraão que ele seria pai de uma grande nação (Gênesis 12:2). Antes do mar se abrir, Deus falou a Moisés que mandasse o povo marchar (Êxodo 15:15). Antes de Maria conceber Jesus, o anjo (mensageiro de Deus) falou que desceria sobre ela o Espírito Santo e o poder do Altíssimo a envolveria (Lucas 1:34-35), explicando-lhe como a bênção daquela maternidade tão especial se tornaria real.  Antes do paralítico que pedia esmolas na porta do templo ser capaz de andar, Pedro falou “em nome de Jesus, anda”! (Atos 3:1-6).

Precisamos entender que mais importante do que nos apropriarmos das bênçãos é avidamente nos apropriarmos das coisas que Deus diz. Não quero com isso dar a entender que devamos, por exemplo, esperar uma permissão de Deus para comprar as passagens todas as vezes que quisermos viajar (e que bênção é fazê-lo!) se é algo que gostamos e podemos fazer. Embora não esteja também negligenciando que em algumas situações, por mais triviais que sejam, é preferível ter uma garantia celestial para dar um passo. Voltando ao exemplo dado, viajar é lícito, convém (I Coríntios 10:23-24) e posso fazê-lo para a glória de Deus (I Coríntios 10:31). Mas falo de desejar e buscar ardentemente a palavra de Deus antes mesmo de me apossar de suas bênçãos.

Também não quero cair no clichê de “busque mais o Deus da bênção do que a bênção de Deus”. Para além disso, quero incentivá-la a amar, depender, ouvir, se interessar, aprender, pregar, obedecer, mergulhar na palavra de Deus. Fazendo isso, inevitavelmente as bênçãos virão e nós seremos capazes de reconhecê-las. Mais uma vez repito: não há bênção de Deus, nem uma sequer, sem palavra anterior Dele que a ordene.  Deus leva a sério as coisas que Ele diz! Foi o que Ele ensinou ao profeta Jeremias depois de ter dado a este uma visão e perguntado o que o profeta enxergara. Diante da resposta de Jeremias, o Senhor disse que ele havia entendido bem, porque “eu (Deus) velo sobre minha palavra para a cumprir” (Jeremias 1:12).

Lançando mão uma vez mais das definições Aurelianas, velar significa passar a noite acordado; conservar-se aceso; estar alerta; vigiar. Em outras palavras, Deus não pisca o olho, vara as madrugas alerta para que Sua palavra se cumpra! Que sejamos capazes de crer que “tudo de bom que recebemos e tudo o que é perfeito vêm do céu, vêm de Deus, o criador das luzes. Ele não muda, nem varia de posição” (Tiago 1:17).

É o que sai da boca desse Deus constante e perfeito, são os seus muitos “hajas” ditos a nosso respeito que fazem com que as coisas boas, suas bênçãos, cheguem até nós.

É o que aprendo quando, lendo trechos do Novo Testamento, vejo a ênfase dada quando é dito que algo aconteceu para que se cumprissem as escrituras. Quer ser abençoada por Deus? Então tome posse…da Sua Palavra!  Falando nisso, já me ocorreu aqui outra coisa. Mas deixemos para as cenas dos próximos capítulos.

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