Foi depois de uma conversa com duas amigas muito queridas, numa noite de sábado, degustando vinho italiano e saboreando risoto com frutos do mar, que novamente passei a pensar de forma frequente sobre redenção. Descobri que faz quase dois meses que redigi algo a respeito, mas agora o significado dessa palavra parece mais vívido.
Durante nossa animada conversa, fomos descobrindo que temos mais semelhanças do que imaginávamos. Semelhanças estas que, em certo sentido, vêm da nossa cor de pele e todas as implicações – emocionais, sociais, físicas – que ela carrega consigo. Elas duas, assim como eu, viveram uma história de dor (talvez não necessariamente de perda), de rejeição, de preterimento. Histórias de “essa roupa é linda, mas não fica tão bem em você”. Histórias de “você é linda, inteligente, bemsucedida…mas só serve como amiga”.
Um dos grandes problemas de colecionar essas histórias é que não raramente elas nos levam a um ponto de cansaço. Uma certa exaustão emocional que vai enchendo o saco até que você se encontra com o mesmo cheio, à beira do precipício da incredulidade. Esperar, ainda que seja só um pouco mais, é desesperador. Não ter nada de concreto em mãos é torturante. Talvez ninguém consiga entender essas histórias tão bem quanto aquelas que já passaram por elas.
E quantas de nós, mulheres, não temos ao menos uma história de vida para a qual desejamos ardentemente a redenção, aquela que compensa, repara, indeniza, ressarce? A redenção que tira do cativeiro, que resgata; a redenção que adquire de novo nossa dignidade, nosso valor, nossa esperança.
Foi pensando em mim, nelas e na nossa agradável noite de sábado, que entrei no quarto, fechei a porta e abri a Bíblia. Li Isaías 35. Foi para elas duas que mandei porque talvez ainda haja em algum lugar dentro de mim uma ponta de fé, menor que um grão de mostarda, capaz de crer que o Jesus ressurreto celebrado na Páscoa é o mesmo Deus que prometeu o que está registrado nesse texto. Eu e elas seguimos a este Jesus. Mandei para ambas, e agora o envio a você.
“Diga às desalentadas de coração: sejam fortes; não temam! Seu Deus virá, virá com vingança; com divina retribuição virá para salvá-las. Então os olhos dos cegos se abrirão e os ouvidos dos surdos se destaparão. Então os coxos saltarão como o cervo, e a língua do mudo cantará de alegria. Águas irromperão no ermo e riachos no deserto. A areia abrasadora se tornará um lago; a terra seca, fontes borbulhantes. Nos antros onde antes havia chacais, crescerão a relva, o junco e o papiro. E ali haverá uma grande estrada, um caminho que será chamado Caminho da Santidade. Os impuros não passarão por ele; servirá apenas aos que são do Caminho; quem quer que por ele ande não errará, nem mesmo o louco (…) AS RESGATADAS DO SENHOR VOLTARÃO E VIRÃO A SIÃO COM CÂNTICOS DE ALEGRIA; DURADOURA ALEGRIA COROARÁ SUA CABEÇA; GOZO E ALEGRIA SE APODERARÃO DELAS, E DELAS FUGIRÁ A
TRISTEZA E O GEMIDO”. (Isaías 35:4-8;10).
Tenho pedido a Deus ajuda para crer nisso. Espero que elas duas também.
