“Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia”. Atos 16: 14.
Assim Lídia é apresentada na Bíblia por Lucas, médico e autor do livro de Atos, bem como do evangelho que leva seu nome. Neste contexto em que Lídia é apresentada, nos versículos anteriores é dito que eles estavam na cidade de Filipos, junto de um rio, em um lugar que parecia ser de oração onde falavam “às mulheres que para ali tinham ido” (vs 13b). Lídia, então, era uma dessas mulheres.
É interessante o destaque que Lucas dá às mulheres na sua narrativa. Um pouco mais adiante no livro de Atos, já em Tessalônica, é descrito que “muitas distintas mulheres” e numerosa multidão de gregos piedosos haviam se unido a Paulo e Silas (Cap 17. Vs 4). No versículo doze do mesmo capítulo é registrado que “mulheres gregas de alta posição” e não poucos homens também creram na mensagem de Paulo.
Voltando a Lídia, depois de ter aberto o coração para as coisas que Paulo dizia, ela e toda sua família foram batizadas e sua casa passou a ser o lugar de hospedagem dos apóstolos (vs 15 do capítulo 16). Lucas fala da origem de Lídia (da cidade de Tiatira) e fala do seu ofício, vendedora de púrpura. Àquela época, a púrpura era uma tinta bastante valorizada comercialmente, o que indica que Lídia provavelmente era uma mulher rica. Na Bíblia de Estudo da Mulher, o comentário sugere que Lídia deve ter sido uma mulher batalhadora, inteligente e ousada para ter alcançado tal sucesso. Se isso for verdade, e provavelmente o é, Lídia é muito parecida com muitas de nós, ainda que nossas contas bancárias talvez não sejam tão fartas quanto a dela provavelmente o era.
Lídia, portanto, não carecia de necessidades materiais. Ela tinha uma profissão rentável, uma casa ampla o suficiente para receber visitas (veremos que ela não só hospeda Paulo e Silas mas passa a ter sua casa como lugar de reunião da igreja naquela localidade) e uma posição de liderança e influência na sua família. Já vimos acima que não apenas ela, mas toda sua casa, foram batizadas.
Porém a super Lídia, ousada, inteligente e rica era mais do que isso. Era temente a Deus a ponto de atender, obedecer, seguir, às coisas que o apóstolo Paulo estava ensinando. Se você ler a trajetória de Paulo relatada em Atos verá que basicamente ele ensinava sobre Jesus. Super Lídia reconheceu que nada do que era ou possuía podia ser mais importante do que seu temor a Deus, a ponto de ela abrir sua casa como local de reunião dos cristãos. Foi para lá que Paulo e Silas dirigiram-se ao serem miraculosamente libertos da prisão pelo Senhor (vs 40 do cap 16).
Lendo este trecho recentemente, fiquei me perguntando o que alguém escreveria sobre mim. Será que minha breve biografia se resumiria a algo como: Larissa, nascida em Itapetinga, morou a maior parte da vida em Salvador, médica cardiologista? Por alguns instantes me perguntei se o meu temor a Deus seria digno de nota como o de Lídia o foi. Por alguns instantes me perguntei se o conforto material de que desfruto me impede de amá-lo mais. Por alguns instantes me perguntei se o ser batalhadora, ousada, um mínimo inteligente, me impede de atender às coisas que o Senhor me diz.
A maior riqueza de Lídia não era a púrpura que vendia. Era seu coração devotado a Deus. O que garantiu a ela e à sua família alegria plena não foram as cifras bancárias, mas a comunhão com Jesus e sua igreja.
Super Lídia. Que essa mulher destacada nas Escrituras nos ajude a entender que não adianta ganhar o mundo inteiro e perder a alma.
Espero que, se um dia, alguém resolver falar de mim, fale de qualquer coisa, mas não deixe de registrar meu temor a Deus, se é que o tenho. Nem que essa seja a única lembrança a meu respeito: Larissa, temente a Deus, escutava às coisas que Ele lhe dizia.
Larissa Santos Novais
