7 de fevereiro de 2017
Reverdescendo

Processos

Das várias mensagens que eu e os demais colegas da turma da faculdade tivemos que redigir em 2008 para os nossos convites de formatura, além da minha, apenas de uma outra eu ainda guardava o conteúdo, ao menos parte dele, em mente. Um dos colegas escreveu: “para muitos, a formatura é tida como um verdadeiro marco, o ponto
final de uma longa trajetória. Eu prefiro encarar a vida como um continuum…uma arbitrária sucessão de momentos…tristes, alegres, especiais, banais…que evoluem e dão sentido (ou não) à existência”.

 

De vez em quando, e por diversas razões, o tal do continuum me vem à mente. Costumo, no entanto, chamá-lo de processo. Creio que a vida seja uma sucessão de processos que nos levam a diferentes lugares (não necessariamente físicos) pelas mudanças que provocam. A mais recente ocasião em que pensei a respeito foi tratando-se do relacionamento das pessoas com Deus, inclusive o meu próprio. Pensei que, por um tempo, muitas vezes nos relacionamos com Ele considerando sua bondade e amor de Pai mas também sua autoridade suprema sobre tudo e todos, o que deveria gerar, imagina-se, um certo medo – medo mesmo, e não temor, o que é bem diferente. Embora, felizmente, não tenha sido essa a maneira como fui ensinada a respeito de quem Deus é, a expressão “Deus castiga” para alguns parece sempre estar por perto. Assim, muitas vezes caminhamos como que querendo seguir suas regras, que nem sempre parecem fazer sentido, apenas para não acabar no temido inferno (tenho uma história muito icônica sobre esse aspecto, mas melhor contar pessoalmente).

 

Basta conhecê-lo um pouquinho melhor para logo perceber que medo é algo incabível no relacionamento com Deus. É impossível ter medo de quem amamos e de quem temos certeza também nos amar. E se esse alguém que nos ama for Todo Poderoso então, melhor ainda! Trocamos o “Deus castiga” pelo “pedi e ser-lhes-á dado”, não importa o quê, quando e como. Eu quero, Deus é pai não é padrasto (outra expressão corriqueira), eu peço (até mereço!) e Ele vai dar! Eu diria que é a fase da inocência, da ignorância gerada por imaturidade, ou da imaturidade gerada pela ignorância a respeito da pessoa de Deus.

 

Alguns anos mais à frente, conhecendo-O um pouco mais, continuamos crendo em Deus Pai e sua bondade, conhecemos mais do seu amor, o que nos faz querer obedecê-lo; sabemos do seu poder e autoridade, e conhecemos melhor a sua soberania. Alcançamos liberdade até para discordar Dele e expor isso em oração sincera. Mas submetemo-nos também aos seus “sins” e “nãos”; e até ao seu silêncio. Podemos não entender o que nos ocorre; podemos querer fugir do que nos ocorre. Mas sabemos que Ele continua ali. Pronto a ouvir, entendendo nossas birras, não satisfazendo a todas as nossas vontades (como todo bom pai assim deve agir) e, aleluia por isso!, trabalhando em nosso favor até enquanto dormimos (Salmo 127)! Acho que meus processos nesses quase trinta e dois anos me colocaram neste último lugar citado.

 

Faço minhas as palavras da canção de Juninho Black (ouça quando puder, é linda!):

“Pode passar, eu sigo crendo
Pode mudar, eu sigo crendo
A fé que existe em mim ninguém pode roubar
Quanto mais o tempo passa, mais eu creio em Deus
Ele sopra o vento e traz tudo no seu tempo
A tristeza me aperfeiçoou
Nas dificuldades Cristo me marcou (…)
Move as águas, vem me curar, abrevie o tempo
Esperei com paciência no Senhor porque Ele me inclinou os seus ouvidos”

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