Nunca houve um 11 de Maio como o de ontem. Onze de Maio de 2015. Completei trinta anos. Penso que, assim como chegar aos quinze, alcançar trinta anos de existência é uma conquista e ao mesmo tempo um desafio para a maioria das mulheres. E como me incluo no grupo “maioria” da maior parte das coisas, comecei este ano considerando como marcar essa data tão especial.
Comentei com Jorge em Janeiro que este ano gostaria de ganhar uma joia. Ele logo me olhou meio de canto, com um certo apertar de lábios que escondia um tímido sorriso. Li daquela reação um típico “essa Larissa… mas no fundo você sabe que eu vou te dar”. E provavelmente ele daria.
Mas não tivemos essa oportunidade: nem ele de procurar aquela que mais se parecesse comigo nem eu de abraçá-lo, rir, chorar e agradecer. O Senhor preparou um 11 de Maio de 2015 bem diferente. A despeito de tudo, não sei com que coragem e paz (e não tenho mesmo como saber, pois, como fui lembrada hoje, “a paz do Senhor EXCEDE todo entendimento”) fui a um shopping e decidi, eu mesma, comprar a tal joia. Me detive em uma loja onde, depois de experimentar muitos modelos, me vi encantada com o conjunto de brincos e corrente que usava. Era aquela! De tão feliz que estava, já saí da loja usando aquilo que, para mim, representava a ciência de que a dor que me aflige não apaga o meu valor. A minha angústia não anula a importância que tenho para Deus. A tribulação não me impediria de agradecê-Lo pela dádiva da (minha) vida. Voltei para casa e já encontrei algumas amigas aguardando. A noite se desenrolou como uma celebração do privilégio de se ter um Deus diante do qual nada é maior. Nem mesmo a morte! Como alguém muito bem definiu: “ontem à noite o Senhor nos visitou!”
E hoje, 12 de Maio, ainda carregando aquela paz estranha de tão inexplicável, saí de casa radiando esperança, fé e mesmo alegria! Esta, talvez dissessem alguns, durou pouco. Cerca de uma hora e meia após ter chegado ao trabalho, despretensiosamente coloquei a mão na minha orelha direita (hábito o qual definitivamente não tenho) e me dei conta que estava sem um dos brincos! Nervosa, perguntei mais alto que de costume dentro de uma UTI pelo meu brinco. Mais que perder um objeto de não desprezível valor financeiro, havia perdido um marco importantíssimo pra mim. Olhamos em tudo ao redor, voltei por todos os locais por onde havia passado no hospital, mas não o encontrei. Retornei à minha unidade de origem e disse ao Senhor que eu tinha plena certeza de que aquilo não era um castigo, de que Ele sabia da importância daquilo pra mim e que eu não iria praguejar. Afinal, eu sei o que são perdas muitíssimo maiores. A primeira coisa que me veio ao coração foi que Ele (Deus) não iria permitir que o diabo roubasse aquilo que Ele havia me dado. E o Senhor definitivamente não estava falando do objeto! Estava falando da paz, da alegria, do refrigério que havia derramado sobre a minha alma. À tarde, logo antes de sair do hospital, liguei pra uma amiga comentando que não havia encontrado e que iria à loja para averiguar se algo podia ser feito por mim. Ela havia passado o dia em oração e eu retruquei que não esperava mais encontrá-lo. Voltei direto ao shopping e enquanto conversava com a vendedora que havia me atendido no dia anterior, recebi uma ligação de uma das colegas do hospital informando que o brinco havia sido encontrado! Era minha dracma! Voltei ao hospital de imediato e o resgatei. No carro novamente, já de volta pra casa, agradeci repetidas vezes ao Senhor. E ele então falou comigo pela segunda vez: “Eu sou capaz de fazer coisas improváveis”! Sim, achar aquele brinco depois de quase seis horas de perdido, em um leito de UTI (onde ele poderia ter sido descartado sem ser notado, sobretudo por ser pequeno) era muito improvável!
Mais um dia Deus se mostrou grande e misericordioso! Perder um brinco não é uma maldição, um carma ou nada do tipo. É uma possibilidade de quem vive e tem brincos. Assim como é possível se perder maridos, filhos, empregos e tantas outras coisas. Mas há algo muito especial, cujo valor excede o de qualquer jóia (e aqui não me refiro à mulher virtuosa): é a possibilidade de ser cuidada por um Deus que acalma a tempestade e acha brincos perdidos na UTI. O Deus que toma e também que dá! O Deus que tem um amor do qual NADA pode nos separar!
“Quem nos separará do amor de Cristo? Será tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? Como está escrito: “Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro”. Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por meio daquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. (Romanos 8:3539 NVI)
