…PARA TE FAZER FLORESCER NO DESERTO!
Poucas coisas podem soar mais grotescas do que pedir ou esperar que alguém dê bons resultados quando as circunstâncias não são favoráveis. Esperar que uma criança que cresceu em um ambiente social e emocional inóspito seja um adulto muito bem equilibrado, por exemplo. Ou que uma mulher que vive sendo violentada física e verbalmente esteja frequentemente de bom humor. Aguardar o dia em que um(a) jovem que cresceu nas ruas, à mercê da sorte, se torne um profissional exemplar, de um carreira humanamente brilhante e salário estratosférico. Tudo isso, conquanto não seja impossível afinal, nada na vida o é, passa longe do escopo do razoável.
Mencionei situações extremas que talvez retratem um deserto perene na vida ou até uma vida que é definida por deserto; pura aridez. Mas trazendo para a realidade de provavelmente boa parte das que leem agora; realidade de gente “normal”, que segue a rotina com as intempéries cotidianas que se apresentam a todas nós porém não vivem nos extremos de sequidão mencionados antes – realidade de gente que vai encontrar pelo caminho motivos para chorar e que transformarão o viver, ainda que temporariamente, seco e árido. É possível esperar que vá sair algo de bom de nós, quando a realidade for esta?
Aos olhos humanos, novamente, passa longe do escopo do razoável. Mas, segundo a Bíblia, é possível sim. Tudo depende de onde estamos plantadas. Tudo se define por apenas dois aspectos: onde se encontram nossas raízes e onde se encontra o nosso olhar. A depender desses aspectos, o tempo de deserto pode ser fatal ou pode ser uma oportunidade para sermos surpreendidas pela maravilhosa GRAÇA de Deus.
Sobre as raízes, há dois textos que me chamam muito a atenção. O primeiro é o Salmo 1, muito conhecido entre a cristandade. Ele vai dizer (e aqui tomei a liberdade de colocar o sujeito no feminino): “Bem-aventurada a mulher que não anda no conselho dos ímpios…Ela é como árvore plantada junto a corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto e cuja folhagem não murcha” (versículos 1 e 3). Jeremias em seu livro vai dizer algo muito semelhante, mas com um detalhe extra que torna essa metáfora da árvore ainda mais enfática: “Bendita a mulher que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor. Porque ela é como árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto” (Jeremias 17:7).
Percebe que quando as raízes estão junto às águas – que segundo a Bíblia, é Jesus, a fonte de águas vivas (João 4) – o tempo de calor e sequidão vem, mas apesar disso, a folha continua verde e os frutos ainda aparecem? Percebe que isso não depende da espécie da árvore, mas de onde ela está plantada? O deserto chega para todas; mais ou menos intenso, ele chega. Sobreviver a ele depende, em primeiríssimo lugar, de onde estão suas raízes.
Depende também de onde está o seu olhar. Quem olha para a força das ondas, das circunstâncias nas quais se encontra (e confesso aqui fazê-lo frequentemente, como Pedro o fez) tende a naufragar. Quem opta por seguir os conselhos do apóstolo Paulo atravessa o deserto. Pode até chegar do outro lado um pouco queimada, marcada pela travessia extenuante, mas chega. Em Hebreus 12:1-2, ele vai dizer: “…e corramos com perseverança a corrida que nos está proposta, olhando fixamente para o Autor e Consumador da fé: Jesus”. E em Filipenses 3:13,14: “…esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante, prossigo para o alvo”. O olhar estava no alvo não no que havia ficado para trás.
Os desertos inevitavelmente virão. Se nossas raízes e nosso olhar estiverem nos locais certos, acredite, até bons e vistosos frutos de nós, pela graça de Deus, sairão.
Salvador, 19 de Fevereiro de 2019
