8 de novembro de 2016
Aprendendo

Labor

Formada há pouco mais de oito anos, não consigo recordar ao certo por quantos empregos já passei. Provavelmente mais do que a média da maioria dos profissionais, mas talvez menos do que a maioria dos meus pares. Na minha profissão, mudar de emprego pode ser questão de poucos meses, semanas ou até mudança de humor. Para minha felicidade, nenhuma das transições se deu na obrigatoriedade gerada por uma demissão, a não ser aquelas por mim mesma solicitada. E fico a pensar: o que poderia estar e não estar fazendo de mim uma profissional bem-sucedida?

Volto então à minha infância, aos meus anos de escola, com os estudos regidos pela sábia batuta sobretudo da minha velha mãe. Se a primeira coisa que aprendi sobre Deus é que ele não mente, a primeira coisa que aprendi sobre o que a Bíblia tem a dizer para a caminhada profissional, conquanto ainda fosse estudante, está em Provérbios 22:29: “Você já observou um homem habilidoso em seu trabalho? Será promovido ao serviço real; não trabalhará para gente obscura”. Gosto mais da tradução que diz (e é aquela que me foi ensinada): “viste um homem diligente em sua obra…”? Diligência! Essa era a palavra de ordem quando o assunto eram os estudos. E continuou a ser na vida laboral.

Segundo definição do Dicionário Aurélio, diligência quer dizer “cuidado ativo; zelo; aplicação; atividade, rapidez, presteza; providência, medida; investigação, pesquisa, busca”. Tudo isso me era cobrado dentro de casa quando ainda criança e se tornou a ação natural, ao menos a tentativa em que assim fosse, quando já mulher portando um diploma de médica – e muitas responsabilidades – aos 23 anos. Uma vez, em uma discussão calorosa com uma amiga sobre este versículo, tentava explicar-lhe que a Bíblia não faz uma apologia ao sucesso e prosperidade gratuitos. Meu argumento foi de que, uma vez que o autor dessa frase foi um rei, Salomão, ele estava falando com absoluto conhecimento de causa. Os homens que trabalhavam para o seu serviço real eram aqueles encontrados diligentes.

Mas não basta esforço e proatividade. Creio que uma das maiores preocupações hoje dos especialistas em recursos humanos seja reunir boa capacidade para relações interpessoais ao talento nato ou habilidade adquirida. Ser gente boa, no sentido mais estrito da expressão, é muito mais difícil do que ser um técnico perfeito na atividade profissional que se abraçou. Mas a Bíblia nos ensina, e especialmente a nós mulheres, a lançar mão de uma arma poderosíssima: discrição! Obviamente, discrição não tem a ver (necessariamente) com tom de voz baixo ou falta de firmeza nas palavras. É uma postura de não amplificar problemas e sim tentar resolvê-los; não expor fracassos alheios, mas ser parceiro na reconstrução do caminho; não propagandear para além do espaço cabível o próprio sucesso. Uma das definições do mesmo Aurélio para discrição é “discernimento, sensatez”.

Sensatez me remete a sabedoria. Sabedoria, aliás, é uma das qualidades da mulher virtuosa citada em Provérbios: “Fala com sabedoria, e a instrução da bondade está na sua língua”. (Provérbios 31:26). E qual fonte de sabedoria não há naquele que, com ela, criou todas as coisas (Provérbios 8:22)?

Volto à minha infância e à capa que escolhi para o meu caderno em um dos anos escolares. Naquela época costumada comprar cartões do Smilinguido. Quando finalmente entendi o que um versículo significava, achei um cartão com ele escrito. Tirei xerox colorida do tamanho da capa do caderno. Colei e plastifiquei. E deixei lá, um ano inteirinho diante de mim:

“Respeitar a Deus é o princípio da sabedoria” (Provérbios 9:10). E, por consequência, da discrição, da diligência…de uma caminhada profissional bem sucedida. Espero chegar lá.

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