Faz alguns poucos dias, voltava para casa no início da noite depois de um dia de idas e vindas entre trabalho, academia, entrega de documentos, entrega de roupas, recebimento de outras roupas e, finalmente, mercado. A cabeça estava prestes a explodir de dor e não podia esperar por entrar em casa, embora já previsse a saga de retirar tanta coisa de dentro de carro.
Já no bairro onde moro e bem próximo a um ponto de ônibus, uma mulher atravessou a faixa de pedestres subitamente, me obrigando a frear o carro de forma meio brusca, embora sem maiores problemas já que o carro vinha em baixa velocidade. Ela terminou a travessia tranquila. Mas ao ouvir o som de sacolas escorrendo do banco de trás para o piso, só me veio à mente uma cena e a exclamação: “os ovos”! Logo me lembrei que havia uma dúzia de ovos separada em uma das sacolas, que provavelmente havia se deslocado no momento da freada.
Nada mais óbvio do que os ovos terem se espatifado. Frágeis que são, certamente não iriam resistir ao impacto. Acho que minha dor de cabeça até aumentou, porque além de muitas sacolas, teria de carregar uma com ovos quebrados até o lixo. Depois de ter posto tudo dentro do apartamento, procurei logo pela sacola que estivesse mais melada. Para minha enorme surpresa, achei a grade com os doze ovos inteiros. Procurei um resquício que fosse de clara e gema pelo plástico, mas não encontrei. Eles surpreendentemente sobreviveram ao impacto do freio. Mais aliviada, comecei então a transferi-los para o compartimento da geladeira especifico para tal, quando observei que em apenas um deles havia uma fissura na casca, mas que não chegava a expor o seu conteúdo.
Enquanto terminava de acondicionar os ovos e começando a guardar os demais itens da compra, me ocorreu uma frase dita por Jesus na sua, chamada, Oração Sacerdotal, aquela feita por Ele em favor dos discípulos pouco tempo antes de morrer. Uma das coisas ditas por Jesus foi: “Enquanto estava com eles, eu os protegi e os guardei no nome que me deste. Nenhum deles se perdeu, a não ser aquele que estava predestinado à perdição…” (João 17:12). Achei bem interessante: Jesus havia protegido o guardado aqueles que o Pai havia dado a ele.
Perdoem-me a comparação esdrúxula, mas me senti como aquele ovo. Não sei quanto a você, mas particularmente me reconheço muito, muito frágil. Diante das freadas bruscas da vida (e que freada eu levei!) tudo contribuía para que eu me quebrasse, escorrendo clara e gema pela sacola. Mas o Pastor de ovelhas sabe também cuidar de frágeis ovos. Para quem está em Cristo, é possível sobreviver às maiores perdas, aos maiores desastres, às maiores decepções. Ele protege e guarda aqueles (e aquelas) que são seus (e suas)!
Não é que as freadas bruscas da vida deixarão de existir. Elas inclusive podem deixar fissuras. Marcas que não permitirão negar o que aconteceu. Fissuras doem, ainda que sejam “apenas” fissuras. Também precisam de bálsamo para cicatrizar. É chato estar fissurada. Mas quando se está em Cristo, Ele cuida, protege, guarda, não deixa que se perca quem é Dele. No final, vidas fissuradas nas mãos do Senhor ainda podem render bons omeletes.
