Nos últimos meses, por mais de uma vez, ouvi de diferentes formas e por diferentes pessoas sentenças que juntas se resumiriam no seguinte: “Lembre-se, Larissa: ELE, o SENHOR, é O MESMO…”. Essa expressão aparece em Deuteronômio 32:39, Isaias 43:3, Isaias 45:3. Em Isaias 46:4, Deus parece ser ainda mais enfático: “Até à vossa velhice, eu serei o mesmo e, ainda até às cãs, eu vos carregarei; já o tenho feito; levar-vos-ei, pois, carregarvos-ei e vos salvarei”. A tradução da Nova Versão Internacional, mais sintética e singela diz: “Mesmo na sua velhice, quando tiverem cabelos brancos, sou eu aquele, aquele que os susterá. Eu os fiz e eu os levarei; eu os sustentarei e eu os salvarei”.
E por que Deus precisa me lembrar tanto disso? Porque tenho memória curta. Ela parece ser do tamanho do espaço de tempo que compreende a velocidade da mudança das circunstâncias – pequeno. E, como diz a vinheta da Band News FM, em vinte minutos tudo pode mudar, parece que muitas vezes minha fé também é assim: em vinte minutos, mudam-se as circunstâncias, eu esqueço de quem é o Senhor.
Um fato muito curioso do meu passado me faz pensar de novo nisso. Em Janeiro de 2001, com apenas quinze anos de idade, prestes a me mudar para Salvador para concluir o ensino médio e prestar vestibular, às vésperas da viagem, eu chorava muito no meu quarto e dizia pra Deus o quanto eu estava com medo de tudo que essa mudança implicaria. Uma das coisas que o Senhor me falou naquela noite foi que eu passaria no vestibular de Medicina da UFBA (era a Universidade que eu deseja cursar) naquele mesmo ano. Na verdade, para aquela adolescente medrosa o Senhor falou assim: “não se preocupe que uma das vagas do vestibular desse ano já é sua”.
Pronto! Pense numa vestibulanda tranquila? Fui eu. Não que isso tenha me feito estudar pouco, baixar a guarda…em hipótese alguma! Eu tinha certeza que aquele aviso prévio não era carta branca de Deus para eu não estudar. Muito pelo contrário. Estudei muito, terminei o terceiro cansada, mas com a firme convicção de que eu passaria naquele vestibular da Federal. Findada a primeira etapa do vestibular (sim, eu tenho idade para não ter pego a fase de prestar apenas ENEM), com o gabarito em mãos, corrigi minha prova. Me saí muito bem não fosse por um detalhe: pontuei apenas trinta por cento na prova de química, uma das disciplinas de maior peso para os cursos da área de saúde. Lembro como hoje da fisionomia da minha mãe quando contei que só tinha acertado trinta por cento das questões de química. O chão dela abriu. Por dentro, eu ri. Porque eu lembrava daquela palavra. Deus falou, Ele vai fazer.
Passei para a segunda etapa e quando saiu a lista final de aprovados, lá estava o meu nome. Pulamos, gritamos em casa, agradecemos. Mas o tempo todo “eu sabia” pelo simples fato de o Senhor ter me dito. E, conforme mamãe já havia ensinado anos antes, Deus não mente.
Anos se passaram. Eu estou envelhecendo. E parece que a fé insiste em também querer caducar. Parece que a fé vai querendo se tornar mais amiga das circunstâncias do que do Senhor da verdade. Uma das minhas características que mais chama a atenção de algumas pessoas, inclusive das que me conhecem há pouco tempo, é a minha memória. Consigo lembrar de coisas tão inúteis e às vezes de tanto tempo atrás. Mas minha memória frequentemente insiste em desconsiderar que ELE é o mesmo. O Deus que sustentou a adolescente de 2002 continua sustendo a mulher de 2019.
Ainda em Isaías 46, versículos 9 e 10, Ele volta a insistir: “LEMBRAI-VOS DAS COISAS PASSADAS DA ANTIGUIDADE: QUE EU SOU DEUS, E NÃO HÁ OUTRO, EU SOU DEUS E NÃO HÁ OUTRO SEMELHANTE A MIM; que desde o início anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé; farei toda a minha vontade.
Que eu e você possamos envelhecer sem encurtar a memória, crendo firmemente nas palavras daquele que é o mesmo ontem, hoje e o será eternamente!
