28 de dezembro de 2015
Sobrevivendo

Mulheres em situação de risco

É bem provável que ao ler o título acima de imediato você tenha se remetido àquelas situações angustiantes de mulheres subjugadas pela prostituição; mães solteiras; vítimas de abuso sexual e de violência doméstica; presidiárias e tantas outras que vivem em situação de grande vulnerabilidade social, física e emocional.

 

Mas não é exatamente a estes riscos que me refiro. Creio que embalada por uma conversa que tive com uma amiga este final de semana, externando sua preocupação com uma outra jovem, fiquei pensando no quanto muitas mulheres tidas como “normais” estão expostas a riscos que as tornam vulneráveis por toda uma vida. O que chamo de mulheres normais são aquelas que trabalham (fora de casa, apenas em casa ou com jornada dupla), são casadas ou vivem uma relação conjugal, muitas vezes bem-sucedidas financeiramente; têm momentos de lazer; até frequentam a igreja, mas cujo estado de aparente normalidade esconde um iminente abismo para seu ser.

 

Porém, se não há os tais riscos que a sociedade e a mídia tanto exploram, o que poderia ser tão ruim? Se não há privações de qualquer natureza, o que poderia ameaçar as mulheres normais?

 

Penso que uma das coisas que mais coloca uma mulher em situação de risco é não saber guardar o seu coração (Provérbios 4:23). Não são poucas as que ignoram o fato de que é dele que depende toda uma vida! Frequentemente esse texto é aplicado às pessoas solteiras. Creio que ele vá muito além de simplesmente esperar o tempo de despertar o amor. Mesmo porque algumas traduções trazem esse texto como “guarde os seus pensamentos”! Quantas mulheres comprometidas em um relacionamento afetivo, mas não conseguem proteger seus pensamentos; não conseguem confiar seus propósitos e sonhos à soberania e bondade do Senhor. Não guardar o coração implica em caminhar com as próprias pernas, o que pode levar a locais tenebrosos.

 

Outro risco grande no qual incorremos é não saber falar. E isso se dá de duas formas: ou porque falamos mal (da maneira inadequada) ou porque falamos demais (infelizmente, sei bem as consequências de falar demais!). Já conheci pessoas que falam absolutamente tudo que pensam, e quando o fazem ainda acreditam estarem dando o melhor de si. A Bíblia nos orienta a falar do jeito certo (“como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo” – Provérbios 25:11 – e “a resposta branda desvia o furor mas a palavra ríspida desperta a ira”). E também nos orienta a falar a quantidade certa: “…quem controla a língua é sensato” (Provérbios 10:19).

 

E se há risco em não saber falar, há risco também em não saber ouvir. Não cito agora a Bíblia, mas o ditado popular que sabiamente diz que quem não ouve conselho ouve “coitada”. Quantas de nós poderíamos ter evitado situações vexatórias se tão somente tivéssemos dado ouvidos aos bons e boas conselheiros (as) que temos à nossa disposição. Agora sim citando a Bíblia, ela nos lembra que “quem sai à guerra precisa de orientação, e com muitos conselheiros se obtém vitória” (Provérbios 24:6). Particularmente, tenho sido muita abençoada nesse meu tempo de grande tensão em alguns momentos por receber conselhos de amigas maduras e fiéis. Afirmo indubitavelmente que ouvi-los tem feito grande e boa diferença!

 

Preciso citar também o risco de não saber/conseguir empenhar a palavra. Ilustro com uma situação que vivi essa semana. Há um jovem que rotineiramente fica no semáforo ao fim da minha rua no final da tarde pedindo ajuda enquanto aparenta auxiliar os carros a estacionar. Por morar no mesmo lugar há pouco mais de seis anos, acabei tendo alguma familiaridade com esse menino. Pois bem, na semana passada ele me pediu dinheiro desta vez para comprar seu presente de Natal. Eu disse a ele que ao invés de dar o dinheiro eu daria o presente. Ele logo disparou que queria só uma camisa, uma bermuda e uma sandália. Só isso. O sinal abriu e eu disparei para o trabalho. No último sábado, enquanto eu estava no shopping comprando roupas pra mim, o Senhor me lembrou que eu DISSE ao garoto que daria o presente! E se eu havia dito eu precisava cumprir. Não me delongarei em divagações sobre este tema mas creio que uma das coisas que mais nos leva, mulheres, a não empenhar nossa palavra não é tanto a mentira proposital, embora isso ocorra! Mas trata-se de ter falado apenas por uma questão de conveniência. Foi conveniente para mim ter dito a ele que ao invés do dinheiro daria o presente. Não gastei um centavo naquele momento, o sinal abriu e eu fui embora. Mas o Senhor não nos chama a ser convenientes, mas sim…fiéis! Ele não quer empolgação, quer fidelidade, lembra?

 

Lembro também do risco da falta de diligência. Chame de chatice ou como queira, mas aprendi isso lavando os pratos do almoço de casa aos domingos. Como obviamente não tínhamos secretária em casa nos finais de semana, ao chegar do culto do domingo pela manhã almoçávamos em família e depois…pia de pratos sujos (como se isso fosse o trabalho todo do mundo, não é?! Mas me deem um desconto, eu era adolescente)! E ao menor sinal de preguiça ou desgosto em fazer aquilo minha mãe sabiamente me dizia: “Lara, a Bíblia diz…” (pausa: agora veja como uma mãe ensina a filha adolescente a lavar pratos bem lavados: “a Bíblia diz que…”. Minha gente!!). Então, a Bíblia diz em Eclesiastes 9:10 que tudo que vier às nossas mãos para fazer deve ser feito conforme todas as nossas forças. Minha mãe fazia questão de enfatizar o “tudo”, o que inclui lavar os pratos do almoço de domingo, e o “todas as forças”, ou seja, faça bem feito! Ao menos se esforce para fazê-lo! Quantas de nós podem estar correndo o risco de, por exemplo, perder o emprego que tanto pediu a Deus simplesmente porque tem faltado diligência. Tem faltado fazer o tudo conforme todas as forças! Embora, obviamente, não é falta de diligência que faz muita gente estar desempregada! Citei apenas um exemplo de possibilidade para isso.

 

Por fim, a maior situação de risco em que uma mulher pode viver é não temer ao Senhor! Se é com sabedoria que se edifica a casa, ela começa justamente por respeitar a Deus! Essa foi uma explicação que calou em meu coração quando eu ainda criança me perguntava tanto o que significava temer ao Senhor. Pois bem, me parece que nada mais é do que respeitá-lo, honrá-lo por quem Ele é! Isso talvez se misture com servi-lo, amá-lo e obedecê-lo!

 

Afinal, como disse Salomão, “…aqui está a conclusão: teme a Deus e obedece aos seus mandamentos, porque isso é o dever (é o essencial) para todo homem”.

(Eclesiastes 12:13).

 

E porque não dizer, para toda mulher?

 

P.S: prometo que esse foi o último texto de 2015!

 

P.S2: lembra do menino do semáforo? Entreguei o presente dele hoje e sabe qual foi a reação dele ao receber??!! ————>>>>>> “Obrigado”. Tudo bem, o importante foi que cumpri a palavra que havia empenhado para com ele!

P.S3: quanto às mulheres naquelas situações de risco do primeiro parágrafo do texto, sejamos instrumentos da graça, justiça e misericórdia de Deus para com elas! P.S4: Feliz 2016 de novo!

 

P.S5: até hoje lavo pratos bem lavados!

P.S5: até hoje lavo pratos bem lavados!

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