8 de agosto de 2016
Esperança

#NinguémManda

Tia Eron, nome político de Eronildes Vasconcelos Carvalho, arrasou quando proferiu essa frase durante o discurso que antecedeu seu voto na comissão de ética da Câmara dos Deputados quanto ao processo de cassação do então presidente da casa, Eduardo Cunha. Creio que tenha sido inspirada nela a publicação de alguns outdoors pela cidade com essa hashtag, lembrando o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, comemorado no último dia 25 de julho.

Parece que não ser mandada por ninguém é um anseio de boa parte das mulheres. Nas rodas intelectuais por vezes esse anseio é traduzido na expressão empoderamento, palavrinha em moda quando se trata do universo feminino. Ou então fala-se de liberdade. Até em propaganda de marcas de absorvente a chamada é

“compre essa marca e você terá liberdade…”. Queremos ser poderosas e livres. Parece muito legítimo, não fosse o significado que se dá a essas coisas e a maneira como as temos buscado.

Mas antes, falemos de um universo onde talvez haja uma antítese a essa aspiração. Pela interpretação que se faz do ensino bíblico, geralmente mulheres cristãs sentem-se confortáveis se forem mandadas, literalmente, pelo próprio marido. Afinal, ele é o cabeça, segundo ensina o apóstolo Paulo em sua carta aos Efésios. Penso que John Stott foi muito feliz ao usar esse texto como um dos exemplos sobre transposição cultural da Palavra em seu livro Ouça o Espírito, Ouça o Mundo.

Segundo ele “ ‘ser cabeça’ implica sacrifício e serviço. É o ‘ser cabeça’ do cuidado e não do controle. Seu propósito não é inibir, e muito menos esmagar, mas, sim, facilitar, criar condições de amor e segurança em que as mulheres sejam livres para ser elas mesmas e desenvolver-se a si mesmas”. Afinal, Paulo usou o exemplo do próprio Jesus como cabeça da igreja, e foi assim que Ele se portou para conosco.

Voltemos então para quem não deseja ser mandada por ninguém. Há aquelas que vêm na atividade profissional o meio para alcançar esse status. Estudam muito, trabalham duro, tornam-se financeiramente independentes e, finalmente, poderosas e livres. Não vou me valer de hipocrisia e dizer que é ruim ser financeiramente independente. Mas qualquer melhora na nossa vida, seja econômica ou de status social, idealmente deve nos levar a um patamar maior de serviço ao outro (por que não, à outra).  Ademais, vulneráveis que somos, para se perder o emprego ou status é daqui para ali.

Há mulheres que não são mandadas por causa da beleza que têm. Pelo contrário, essas geralmente mandam. Mandam nos homens não-de-bem, se me permitem o neologismo, que fazem de um tudo para ter as beldades só para si e exibi-las como um troféu; e ainda acabam por mandar em outras mulheres, que se desesperam para alcançar aquele referencial de beleza. Eu mesma não raramente entro na academia um pouquinho feliz e consigo sair um tanto triste porque me faltam aqueles gomos no abdome que Dona Paniquete insiste em exibir. Ainda bem que passa rápido e no dia seguinte, se me der vontade, eu como até pão. E há aquelas, hoje talvez um grupo de exceção que eu chamaria de inocentes, que até gostam de ser mandadas, desde que seja por si mesmas. Trata-se daquela historinha de “amiga, faça o que seu coração mandar”! Mal sabem estas que “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso…” (Jeremias 17:9).

Diante disso, há que se tomar uma decisão: ser ou não ser mandada, eis a questão! Eu voto SIM! Quero ser mandada! Pela pessoa certa. A única capaz de, ao mandar em mim, me dar o poder pelo qual anseio e a liberdade que tanto busco. Foi esta a última coisa que Jesus falou aos discípulos antes da ascensão, que eles receberiam poder ao vir sobre eles o Espírito Santo (Atos 1:8). Foi Ele mesmo quem também prometeu que se o Filho nos libertasse, aí sim seríamos verdadeiramente livres (João 8:36). Nada é mais eficaz para tornar uma mulher livre e poderosa do que ela ser governada pelo Espírito Santo.

Aliás, se tivéssemos mais mulheres mandadas por Ele, teríamos uma sociedade mais amorosa, alegre, pacífica, paciente, benigna, bondosa, mais crente, mais mansa e mais temperada. Esses são os resultados naturais de mulheres governadas pelo Espírito de Deu, e não por seus próprios corações, por sua beleza, por seu status profissional, nem por seus maridos.

Assim sendo, posso criar uma nova hashtag?

#MANDAEMMIM,ESPÍRITO

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