13 de setembro de 2016
Esperança

Números

Números é o quarto livro do Pentateuco, o conjunto formado pelos cinco primeiros livros da Bíblia. A despeito de seu título, não trata apenas de contabilidade, mas de muitos outros temas como fidelidade, obediência, provisão e murmuração. Li recentemente os capítulos treze e quatorze deste livro. Me chamou a atenção especialmente o versículo onze do capítulo quatorze, o qual diz: “Disse o Senhor a Moisés: até quando me provocará este povo e até quando não crerá em mim a despeito de todos os sinais que fiz no meio dele? ”. 

O contexto era mais ou menos o seguinte: o povo judeu havia sido escravo no Egito por quatrocentos anos. Deus tira sua gente de lá de forma miraculosa; eles atravessam o Mar Vermelho, o exército de faraó é afogado no mesmo mar; o povo é provido de alimento diariamente durante a peregrinação no deserto. As roupas que usavam não se estragaram neste período. Quando chegam na fronteira com a terra prometida, Moisés manda doze homens espiarem a terra e trazer notícias. Apenas dois deles, Calebe e Josué, voltam animados. Os outros dez conseguem convencer todo o povo que invadir aquela terra era uma grande furada. E então o povo faz o que eu e você muitas vezes fazemos: acreditam nos dez espias, duvidam de Deus (que havia prometido dar a eles aquele lugar) e reclamam.

Foi diante desta reclamação do povo que Deus chama seu amigo Moisés para uma conversa em que diz, em outras palavras, que nada do que Ele havia feito pelo povo durante todo aquele tempo parecia suficiente para que eles cressem no Deus cujo nome carregavam. Era como se o povo estivesse provocando Deus com sua falta de fé. Algo como que “essa história de pragas no Egito para nos libertar, mandar pão e aves do céu para nos alimentar no deserto, nossas roupas manterem-se conservadas, tudo isso é passado. Vencer esses gigantes de Canaã? Ah, isso aí, não. Ai já é demais para nós”.

Me vi no povo de Israel. Me vi duvidando do que Deus é capaz de fazer a meu favor para honrar e cumprir todas as palavras que já me disse e todas as promessas que já me fez, ainda que em dias de tamanha dor. A despeito de já ter entrado embaixo de um ônibus quando tinha cerca de dez anos de idade enquanto voltava para casa de bicicleta na cidade onde nasci, e ter saído de lá sem um arranhão; a despeito de ter visto a mim mesma e toda minha família sairmos ilesos de um carro fortemente atingido em um acidente em Recife há cerca de quinze anos; a despeito de ter passado no vestibular aos dezesseis anos mesmo tendo feito apenas 32% da prova de Química na primeira etapa da UFBA (Deus havia me dito que eu passaria naquele ano); a despeito de ter sido aprovada em uma seleção para uma nova subespecialidade apenas nove dias após perder meu marido e ver que hoje essa subespecialidade está mudando a minha vida profissional para melhor; a despeito de ter visto estes e tantos outros sinais, ainda provoco Deus com minha falta de fé.

Um dos pedidos que mais tenho feito a Ele ultimamente tem sido o mesmo que os discípulos fizeram pessoalmente a Jesus certa vez: “Aumenta-nos a fé! ” (Lucas 17:5). Mesmo porque, como disse o autor da carta aos Hebreus, “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hebreus 11:6). Que Deus possa achar em mim a mesma bemaventurança que Isabel achou em Maria, logo que esta, já grávida de Jesus, saudou a prima grávida de João Batista:

“Bem-aventurada A QUE CREU porque serão cumpridas as palavras que lhe foram ditas da parte do Senhor” (Lucas 1:45).

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