3 de abril de 2018
Voz de mulher: recomeçar

Re-co-me-çar – pt. 2

Se houve algo que não faltou a Neemias durante sua tarefa de liderar a reconstrução de Jerusalém foi oração. No primeiro texto, comentamos que boa parte dos recomeços se inicia por choro e lamento, às vezes por alguns dias. Neemias assim o fez, mas não parou por aí. Logo depois de chorar, ele esteve “jejuando e orando perante o Deus dos céus” (Neemias 1:4). Nessa oração, como já comentamos, Neemias reconhece quem Deus é (grande e temível) e faz confissão de pecados.

Parece que Neemias não tinha muita dúvida de que, para recomeçar – o que muitas vezes implica em tomar decisões importantes – era preciso, antes de tudo, orar. Quando estava diante do rei e este o indagou porque encontrava-se triste, Neemias primeiro tem medo: “então temi sobremaneira” (Capítulo 2, verso 2b). E para dar uma resposta adequada à proposta do rei (“que me pedes agora?” – capítulo 2, verso 4a), Neemias prontamente orou ao Deus dos céus (versículo 4b). Diante dessa grande oportunidade, que deveria ser muito bem aproveitada, antes de responder qualquer coisa que lhe viesse à mente, Neemias ora.

Toda reconstrução, para ser bem-sucedida, deve ser regada por muita oração. Não só as orações de arrependimento e confissão, bem como de reconhecimento de quem Deus é, mas também aquelas que precedem a tomada de decisões e a emissão de respostas. Ao responder à pergunta do rei, depois de ter orado, Neemias é claro com ele quanto ao que queria (“peço-te que me envies a Judá…para que eu a reedifique” – capítulo 2, versículo 5) e ainda ousa fazer pedidos diplomáticos e financeiros (versículos 7 e 8) que seriam fundamentais para que seu projeto tivesse êxito. A oração nos ajuda a sermos precisas quanto às respostas que devemos dar. Se Neemias tivesse feito apenas o pedido diplomático, teria chegado a Jerusalém a salvo, porém sem madeira para trabalhar. Se tivesse pedido apenas a madeira, talvez não conseguisse chegar com ela em Jerusalém.

Oração temente e sincera é o que faz com que a boa mão do Senhor seja conosco.

“E o rei as deu a mim, porque a boa mão do meu Deus era comigo” (2:8b). Orando, reconhecemos que as portas que nos são abertas não o são pela simples benevolência dos homens, mas pela bondade e soberania do Senhor. Neemias sabia que aquele rei tão poderoso não atendeu aos seus pedidos porque era um homem legal, mas porque Deus estava com ele (Neemias) naquele projeto.

É orando também – e aqui me parece haver um grande desafio, ao menos para mim, nos dias atuais – que conseguimos discernir o que é que Deus coloca no nosso coração para fazer.  Depois da grande vitória de ter conseguido do rei persa autorização diplomática para viajar a Jerusalém, além de madeira para o trabalho que faria, Neemias tinha tudo para chegar fazendo barulho, expondo que uma vez que estava na cidade as coisas começariam a ser diferentes. Mas ao invés de estardalhaço, Neemias escolhe o silêncio. “Cheguei a Jerusalém, onde estive três dias. Então, à noite me levantei, e uns poucos homens, comigo; não declarei a ninguém o que o meu Deus me pusera no coração para eu fazer em Jerusalém” (capítulo 2, versos 11 e 12).

Aprendo aqui que há coisas que Deus coloca no meu coração para fazer e que não necessariamente preciso anuncia-las aos quatro ventos. Às vezes, a decisão mais inteligente é ser discreta, chamar pouca gente para estar contigo, fazer quase sem ser notada. Mas só há uma maneira de discernir o que é que Deus coloca no meu coração para fazer: orando! Se o nosso coração é enganoso mais do que todas as coisas, como a Bíblia diz que é (Jeremias 17:9), só há como discernir o que é de Deus e o que não é ouvindo-o. Ore também para ouvir Deus. Ore para saber o que Ele está colocando no seu coração para fazer.

O resultado de reconstrução regada a oração, quando sabemos o que Deus colocou no nosso coração, é um só. Mesmo diante dos questionamentos e afrontas do inimigo, poderemos responder como Neemias: “o Deus do céu é quem nos dará bom êxito; nós, seus servos, nos disporemos e reedificaremos” (capítulo 2, versículo 20a).

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